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segunda-feira, 22 de março de 2010

Comparação de poemas (Texto para o 6º ano Colégio Adonai) Brisamar

Aula 3
Comparando poemas
Nesta aula, vamos comparar três poemas, cada um de um poeta, todos importantes na
nossa literatura: Manuel Bandeira, Sylvia Orthof e João Cabral de Melo Neto, todos
com uma grande produção no século XX. Deles, somente Sylvia escreveu especificamente
para crianças e adolescentes. Os outros sempre escreveram para adultos (o que
não quer dizer que não tenham sido lidos pelo público mais jovem).
Depois da leitura dos poemas, vamos procurar coincidências e diferenças entre eles.

Poema 1
Versos de Natal
Espelho, amigo verdadeiro,
Tu refletes as minhas rugas,
Os meus cabelos brancos,
Os meus olhos míopes e cansados.
espelho, amigo verdadeiro,
Mestre do realismo exato e minucioso,
Obrigado, obrigado.
Mas se fosse mágico,
Penetrarias até o fundo desse homem triste,
Descobririas o menino que sustenta o homem,
O menino que não quer morrer,
Que não morrerá senão comigo,
O menino que todos os anos na véspera do Natal
Pensa ainda em pôr os seus chinelinhos atrás da porta.
BANDEIRA, Manuel. Estrela da Vida Inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1970. p. 160.

Poema 2
Prece de Natal
Se fosse mesmo Natal,
tudo seria mudança!
Cada estrela lembraria
que o Natal é uma criança.
Presentes seriam coisas
que não se compram
com dinheiro:

um vôo de borboleta,
um abraço verdadeiro.
Se fosse mesmo Natal,
cristinho aceitaria
a festança e brincaria
no colo daquela moça
que é flor-de-lis: Maria
O boi seria bumbá,
espelharia o Bem
nas cores das lantejoulas
que a alegria tem!
O burro, muito enfeitado,
brincaria num folclore.
Anjo, anjo, asa, asa,
pombinha branca e estrela,
que esse Natal não demore
a entrar pela janela!
Anjo, anjo, asa, asa,
todo presépio é uma casa!
ORTHOF, Sylvia. Pequenas orações para sorrir. São Paulo: Paulinas, 1998. p.21.

Poema 3
Cartão de Natal
Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
em vão enfim poder
explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem,
o sim comer o não.
MELO NETO, João Cabral de. Museu de tudo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.


Atividade 1


1) Qual o primeiro ponto de encontro entre estes poemas?
2) De alguma forma, os três poemas relacionam Natal e criança.
a) Por que fazem essa relação?
b) Essa relação com a criança é igual em todos os poemas?
3) O poema de Sylvia reprova o Natal que não é verdadeiro, o Natal consumista e sem a
festa simples, com valores da tradição popular. Que expressões revelam isso?
4) Que palavras sugerem, no poema de João Cabral, a idéia de renascimento?
5) Coincidentemente, os três poemas estruturam-se em duas partes bem distintas. Indiquem
as partes de cada um deles e a idéia central de cada uma das partes.

6) Do ponto de vista da forma, os três poemas são parecidos?

7) Deixamos para o fim uma pergunta importante: há, sim, uma outra semelhança entre
os três poemas – o uso da linguagem figurada. Mais uma coincidência: os três usam a
personificação como elemento importante na sua concepção. Procurem essa personificação
em cada poema.

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